Arquiteta e urbanista explica como deve ser uma calçada

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Em sua última edição (11/10), o O Combate denunciou o risco que as pessoas correm tendo que caminhar pelas ruas, uma vez que calçadas com obstáculos e que sequer foram feitas são uma constante em Jaboticabal. Quando o assunto é calçada adequada é preciso levar em consideração as calçadas ecológicas, que aumentam a área permeável e não comprometem a acessibilidade, conforme destacou a arquiteta urbanista Francine Lacativa Morgatto. “O importante é garantir a manutenção correta, inclusive da grama, para evitar degraus que possam prejudicar a circulação de um cadeirante, por exemplo. O mais importante é seguir as inclinações permitidas e a largura mínima de área pavimentada para a circulação dos pedestres”, afirmou Francine.
Segundo ela, o passeio de pedestre, popularmente conhecido como calçada, é um espaço importantíssimo das cidades, ainda mais em um momento em que muito se discute sobre a necessidade de redução dos impactos ao meio ambiente, diminuição do uso de automóveis e incentivo a vivenciar o espaço urbano, com cada vez mais atividades trazidas para além das casas, às ruas. “Torna-se cada mais importante esse planejamento. E, falando nisso, entramos em outro conceito que vem ao encontro da preocupação em melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades: a acessibilidade”, destaca Francine.
Ela explica que de acordo com a norma mais utilizada por arquitetos, a 9050 da ABNT, “espaço acessível é um espaço que pode ser percebido e utilizado em sua totalidade por todas as pessoas, inclusive aquelas com mobilidade reduzida”. “As orientações acerca do projeto e execução de nossas calçadas variam de cidade para cidade, de acordo com as leis vigentes, porém sempre visando garantir uma circulação segura e livre de obstáculos e interferências. Hoje em dia, além desses princípios básicos, foram surgindo pequenas soluções que podem ser aliadas na redução de problemas recorrentes nas cidades, como enchentes, por exemplo. São as chamadas calçadas ecológicas, ou calçadas verdes, que vêm como alternativa àquelas revestidas inteiramente de concreto e outros materiais impermeáveis”, explica.
A arquiteta diz que as calçadas podem variar de acordo com as leis e exigências de cada cidade, porém são basicamente espaços um pouco mais largos em que se tem o passeio (parte obrigatoriamente pavimentada, destinada à circulação do pedestre) e faixas de grama, onde, em alguns casos, podem ser plantadas espécies arbustivas. “Existem também alguns tipos de pavimentação mais sustentáveis, como o concreto intertravado, onde o espaçamento entre as peças permite a infiltração da água. E até outros com a própria peça de cimento permeável”, diz.
Apesar de em grande parte dos casos as calçadas ecológicas não serem obrigatórias, algumas cidades já exigem que sejam executadas desta maneira. “Penso que a tendência é tornarem-se cada vez mais comuns, e como urbanista assim espero. Aderindo cada vez mais a estas alternativas, conseguiremos uma mudança considerável no nosso meio: evitar cidades tão saturadas de concreto e que sofrem com enchentes e falta de espaços verdes”, concluiu.

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