Bruxismo pode causar uma série de transtornos

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Sabe aquela mania de ranger os dentes enquanto dorme ou apertá-los? Chama-se bruxismo, ou seja, trata-se de uma desordem funcional. Essa pressão pode provocar desgaste e amolecimento dos dentes. Nos casos mais graves, podem ocorrer também problemas ósseos, na gengiva e na articulação temporo-mandibular (ATM). Muitas vezes o bruxismo de vigília é confundido com o bruxismo do sono, pois apresenta alguns sintomas parecidos, como dor de cabeça, pescoço e maxilar, dor na ATM e até zumbido. Mas, o que muita gente não sabe, é que este tipo de mal pode ser diretamente associado a ansiedade e estresse.
O Dr. Alain Haggiag, cirurgião dentista, lembra que este comportamento é quase sempre inconsciente. “O paciente não percebe que está apertando os dentes ou contraindo a musculatura da face e da cabeça. Normalmente a pessoa permanece por períodos longos apertando ou encostando os dentes, principalmente em momentos de tensão, estresse ou até mesmo quando está concentrada lendo um livro, estudando, usando o computador ou assistindo TV. O bruxismo em vigília pode aparecer como efeito colateral de algumas medicações, sobretudo medicações utilizadas no tratamento da ansiedade; ou em usuário de drogas como a cocaína, por exemplo. Pacientes que sofrem de alterações neurológicas (paralisia cerebral, Parkinson) podem apresentar também um bruxismo secundário”, diz.
O Dr. Alain indica um tratamento que compreende terapia cognitiva comportamental (com técnicas de reversão de hábitos), terapias físicas (fisioterapia, termoterapia,) e as técnicas de biofeedback, cada vez mais eficientes. “Após longos e frutíferos anos de pesquisas, iniciadas na Universidade de Paris, em 2004, e complementadas na Faculdade de Odontologia da USP e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, desenvolvi um tratamento absolutamente inovador para o controle destes distúrbios. É um tratamento reversível, não invasivo, que não requer o uso de nenhuma substância química e que, por consequência, não apresenta praticamente nenhuma contra indicação”, acrescenta o Dr. Alain, falando sobre uma placa que desenvolveu.
A Dra. Caroline Thomazelli, cirurgiã dentista, comenta que está cada vez mais comum pacientes bruxistas em vigília. “A recomendação para um paciente bruxista é no primeiro mês de placa, usar o máximo de tempo possível (dia e noite)> Porém sabemos que a maioria dos pacientes não gosta de usar a placa durante o dia, pois como essa placa acaba pegando todos os dentes, acaba dificultando a fala, e muitas vezes fica aparecendo nos dentes da frente, não ficando estético, já que apesar de ser transparente, tem uma espessura considerável”, disse a Dra. Caroline.
A dentista aprova a iniciativa do colega, que criou um dispositivo que fica escondido (apenas em dentes posteriores). “Com certeza é mais fácil de conversar, fica mais estético e, como consequência, os pacientes ficam motivados a usar. O mecanismo dele é promover esse desencostamento dentário, levando a mandíbula em uma posição de repouso, além do que, na hora em que o paciente for apertar (involuntariamente), vai sentir que está apertando o dispositivo com força entre os dentes e vai corrigir-se, vai educar-se. Precisamos, entretanto, ver estudos a longo prazo que comprovem essa eficiência, podendo substituir por exemplo, a placa convencional”, disse a Dra. Caroline, lembrando que a placa correta para tratamento de bruxismo é a de resina acrílica e não a placa de silicone.
“Hoje quando me perguntam sobre o tratamento do bruxismo, além da placa miorrelaxante, que é indispensável, eu associo também a mudança de hábitos do paciente: ele tentar identificar o que está causando essa ansiedade, esse estresse, e, se possível, tentar mudar essas situações, buscar terapias, fazer exercícios para promover um relaxamento corporal como um todo. Tem o uso da toxina botulínica, que já se mostrou muito eficaz no tratamento de bruxismo, lembrando que não substitui a placa, é um método associativo”, encerrou a dentista.

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