Carnaval é festa, mas demanda precaução

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AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); gravidez indesejada; brigas; acidentes de carro gerados pelo excesso de bebidas e/ou drogas. Tudo isto, infelizmente, aumenta quando chega o carnaval, uma festa que deveria trazer somente alegria, mas que é usada por muitos como um momento de extrapolar, em vários sentidos.
Segundo a psicóloga Sumara Feres Henrique, tanto pela inconsequência quanto pela imaturidade, há uma crença de adolescentes e jovens em geral de que eles são inabaláveis e não são atingidos pelos incidentes que acontecem no carnaval. “O carnaval é uma época na qual através de máscaras carnavalescas, retiram-se as máscaras sociais pesadas e se deixam extravasar os instintos, liberando conteúdos do seu íntimo que geralmente são reprimidos. O carnaval é o álibi para realização desses impulsos, dos prazeres e desejos reprimidos, não medindo as consequências e sem o crivo da censura e críticas. Homens se permitem fantasiar de mulheres e mulheres diminuem cada vez mais suas roupas. Ambos expressando sua personalidade ou o seu íntimo, como se fosse brincadeira”, explica a psicóloga.
Sumara acrescenta que com essa expressão cultural, os desejos sexuais, que muitas vezes ainda são reprimidos na sociedade, tomam forma e força, fazendo com que aumentem a sexualidade e adicções (dependência do consumo regular de uma determinada substância, como droga, tabaco, medicamento, bebida alcoólica,etc.).
“O carnaval vem como uma desculpa para determinados comportamentos. Geralmente, as pessoas colocam em suas fantasias e atitudes, o que está reprimido. As pessoas que têm necessidades internas para tais questões lançam mão de comportamentos mais liberais. Por exemplo, pessoas que se reprimem sexualmente têm como desculpa o carnaval. Pessoas que têm atração ou tendências a exageros, encontram no álcool, nas drogas e no sexo a permissão do carnaval para ter esses comportamentos”, explicou Sumara.
A especialista diz que a psicologia, nesses casos, tem que intervir antes da festa popular, conscientizando as pessoas sobre suas questões internas e mostrando que pode haver diversão e prazer sem sexo inconsequente, sem o uso e abuso de álcool e de drogas. “As informações são transmitidas por vários canais de comunicação e são de suma importância, porém há o prazer de brincar com o perigo, com os limites e com o que é proibido. Esse é um processo inconsciente de tentativa de mostrar a si mesmo o quanto é inabalável. Mas sabemos o quanto isso pode ser prejudicial”, concluiu a psicóloga.
O Dr. Ulysses Strogoff de Matos, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC – FMRP), da USP, explica que as relações sexuais aumentam na folia do Rei Momo simplesmente porque aumentam a oferta e a procura, associado ao uso de bebidas e drogas. “Aumentam as DSTs porque são as mesmas pessoas que no dia a dia não se protegem por não estarem conscientes dos riscos. Ou seja, elas não ficam mais promíscuas, apenas têm mais oportunidade e mais apelo ao sexo”, acredita o infectologista, especialista em AIDS e DSTs.
Segundo ele, campanhas pontuais são ineficazes e mostram a negligência com a prevenção da AIDS e das demais DSTs. “É preciso campanha contínua, que atinja as diversas idades, para que o jovem chegue consciente para iniciar a vida sexual, evitando a gravidez e as doenças”, apontou o Dr. Ulysses, criticando a falta de campanhas ao longo do ano, já que elas acontecem apenas no carnaval.

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