Emoção: Show SobreViver encerra Semana de Prevenção do Suicídio

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A última sexta-feira, dia 13, foi de muita emoção para um grupo muito especial: o SobreViver, que realizou um show emocionante, que contou com apresentações musicais, de dança, de luta, além de homenagens e premiações. O Show SobreViver, na Concha Acústica, foi o encerramento da Semana de Prevenção ao Suicídio, ação idealizada há três anos pelos psicólogos Taisa Del Vecchio e Luís Carlos Fernandes.
Segundo Taisa, a ideia da Semana de Prevenção ao Suicídio surgiu a partir de uma inquietação. Uma só não. Duas. “Como profissional de saúde mental, sempre me preocuparam as problemáticas envolvidas nesta área. Porém em 2016, estava em uma formação sobre Suicídio em um anfiteatro de um hospital e, percebi durante a apresentação uma movimentação que me chamou a atenção. Fomos, então, informados que do lado de fora, bem na frente do hospital, um homem tinha acabado de suicidar-se. Talvez ele tenha tentado buscar ajuda, mas, a dor, o desespero, o sofrimento fez com que não desse tempo de ser atendido. Uma tristeza”, relembrou Taisa.
Segundo ela, essa situação a angustiou a tal ponto que decidiu fazer algo, sair das paredes do consultório e realizar alguma ação. “Dividi esta angustia com outro colega psicólogo, o Luís Carlos Fernandes e, para minha surpresa, ela teve respaldo. Surgiu aí a sementinha da 1a Semana de Prevenção ao Suicídio, que em 2017 foi uma semana tímida, com três eventos, mas deu frutos. Em 2018 e 2019, conseguimos fechar a semana toda de atividades. Focamos as atividades na semana do dia 10 de setembro, pois é o dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”, contou Taisa.
Ela lembra que na primeira edição, a dupla idealizadora convidou dois psicólogos para agregar o movimento. “Convidamos o Dr. Vinícius Faria, psiquiatra, para ministrar uma palestra na Semana. Ele, por sua vez, nos apresentou mais uma psicóloga e assim o grupo foi crescendo. Temos um profissional da área da publicidade, que abraçou a causa conosco desde a primeira edição e os demais membros do grupo vieram por motivação própria, querendo nos ajudar nessa luta”, comemorou Taisa.
A psicóloga disse que este ano as ações irão continuar durante todo mês e que o grupo, hoje com mais profissionais, tem planos de dar continuidade ao trabalho no decorrer do ano, já que a luta pelo pela vida deve ser diária e intensa.
A psicóloga destaca que o grupo visa basicamente salvar vidas. “Esperamos passar informação à comunidade e despertar nas pessoas a motivação em buscar ajuda quando as situações da vida parecerem sem respostas. Esperamos quebrar o mito de que falar sobre suicídio aumenta o risco para o mesmo. É o contrário. Falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem. Esperamos mostrar as pessoas que o suicídio é um ato evitável, que a abertura ao diálogo e a compreensão das razões que levam alguém a ceifar a própria vida podem reverter esse quadro. Acreditamos que falar é a melhor solução”, revela.
Taisa comenta que alguns levantamentos apontam que em cerca de 97% dos casos, o suicídio é um marcador do sofrimento psíquico ou de transtornos psiquiátricos. “Entretanto, vale ressaltar que estes dois fenômenos são coisas distintas que podem ou não estar associados. Dentre os transtornos psiquiátricos atrelados ao suicídio, a esquizofrenia, os transtornos associados ao uso de álcool e outras substâncias, e a depressão são os mais incidentes, sendo a depressão o de maior prevalência. Entretanto, apenas 15% a 20% das pessoas com depressão se suicidam, mostrando que nem todo deprimido tem potencial suicida. Importante essa colocação pois tais fatores são considerados fatores de risco, mas não determinantes”, explicou, completando que sabe-se que adolescentes, idosos e doenças incapacitantes também são considerados fatores de risco. Mulheres são mais vulneráveis às tentativas, porém os homens efetivam mais a ação.

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