Gêmeas craniópagas: Jaboticabal ratifica o título de cidade generosa

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Correspondendo à sua tradição de uma das cidades mais generosas já vistas, Jaboticabal manteve o título e contribuiu em peso para arrecadar fraldas, leite e material de higiene para as gêmeas siamesas craniópagas Maria Ysabelle e Maria Ysadora. Agora a campanha caminha para uma segunda etapa, que é de arrecadar verbas para estruturar a volta das meninas para Patacas, distrito de Aquiraz, município distante cerca de 31km da capital do Ceará. Para tanto foi criada uma conta no site Vakinha (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/gemeas-unidas-pela-cabeca), na qual pode ser depositada qualquer quantia.
Ysabelle e Ysadora foram operadas no dia 17 de fevereiro, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Esta foi a primeira de quatro cirurgias para separação das gêmeas que nasceram unidas pelo crânio. O caso das meninas de 1 ano e 7 meses é raro. A incidência de craniópagos – siameses unidos pela cabeça – é de um a cada 2,5 milhões de nascimentos e, no Brasil, há apenas uma cirurgia de separação documentada. “Só temos publicado no país um caso e nele um dos gêmeos não tinha possibilidade de sobrevivência. No caso atual, as duas gêmeas são iguais, não há uma com mais condições do que a outra, e é a primeira vez que isso é registrado aqui”, diz o neurocirurgião Eduardo Jucá, um dos integrantes da equipe e responsável pela vinda das meninas para Ribeirão Preto.
Coordenador da neurocirurgia no Hospital Infantil Albert Sabin, referência para casos de alta complexidade no Ceará, ele conheceu as crianças em julho de 2016, quando foram internadas na unidade. Foi dele a ideia de encaminhá-las para a FMRP-USP, onde se formou e se especializou. “Ribeirão é um centro de excelência mundial em neurocirurgia pediátrica. Como é o primeiro caso com essas características no Brasil, foi uma decisão lógica”, comenta.
O caso passou a ser analisado pelos profissionais da USP, que liderados pelo pelo neurocirurgião Hélio Rubens Machado e acompanhados pelo norte-americano James Goodrich, chefe do setor de neurocirurgia pediátrica do Montefiore Medical Center de Nova York, optaram por fazer a separação em quatro etapas. A primeira cirurgia foi bem sucedida e agora as meninas e seus pais Débora e Diego, estão alocados em uma casa dentro do campus da USP Ribeirão Preto, cedida pelo Grupo de Apoio ao Transplante de Medula Óssea (Gatmo). A família ficará em Ribeirão até o final do ano, quando as gêmeas serao separadas definitivamente.
Um pouco desta história
No oitavo mês de gestação, Débora fez seu ultrassom de rotina quando soube que havia algum tipo de má formação. Ainda na gestação, foi realizada uma ressonância, na qual foi descoberto que as pequenas estavam com as cabeças coladas uma a outra.
Em julho de 2016, nasceram as gêmeas siamesas. Maria Ysabelle nasceu com 3,5 kg e 46 cm e Maria Ysadora, com 3,7 kg e 47 cm. As meninas foram para um hospital especializado. Diego e Débora passram maus bocados nos primeiros meses e só vislumbraram uma esperança quando foram apresentadas ao cearense Eduardo Jucá. O Dr. Eduardo está acompanhando todo o processo e participa das cirurgias com a equipe.
Antes que a cirurgia fosse realizada, as meninas precisaram passar por diversos exames, além disso foi realizada a reconstrução dos crânios das duas meninas em um molde de acrílico com forma tridimensional, feito nos EUA. Após um ano de muito planejamento, que envolveu mais de 30 pessoas, finalmente a cirurgia foi marcada. O procedimento conta com quatro cirurgias, sendo cada uma delas uma parte do crânio será aberta, veias sobrepostas e parte de uma dos cérebros serão separadas. Após todo o procedimento neurocirúrgico, a equipe de cirurgia plástica, que já está acompanhando cada etapa, entra para encerrar o processo, conforme informou o cirurgião plástico Jayme Farina Junior.

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