Gripe não é resfriado e exige atenção, assim como o sarampo

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O número de casos de sarampo e as mortes por gripe têm levado as autoridades a divulgar com exaustão a necessidade de vacina. O descuido de muitos pais foi justamente o que possibilitou a volta do sarampo, que estava erradicado. Ou seja, entre as principais ações preventivas para uma infância saudável estão um pré-natal adequado, um parto adequado, aleitamento materno, alimentação saudável e a vacinação de acordo com o calendário oficial do Brasil.
Essas informações estão constantemente sendo veiculadas por fontes de informação confiáveis: Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria e as suas filiadas. “Mas, infelizmente, essas recomendações embasadas cientificamente e comprovadas há décadas não sensibilizam de forma satisfatória a população brasileira (ou mundial). Constantemente analisamos números e as estatísticas não estão a nosso favor. Quero aproveitar estudos e artigos publicados nos últimos meses em revistas científicas para alertar aos pais sobre e temas importantes e atuais: sarampo e influenza”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski, em entrevista ao O Combate.
“Gripe não é resfriado. Assim como o sarampo, a gripe (influenza) mata. Está chegando o momento de mostrarmos que nos preocupamos de fato, vacinando crianças e todos os grupos de risco para a doença”, diz o pediatra. Segundo ele, de acordo com a recomendação da OMS para 2019, as vacinas aplicadas no Hemisfério Sul incluem cepas do H1N1 com mudanças nas de H3N2 e na influenza do tipo B. Dois tipos de vacinas contra a influenza são aplicados. A trivalente, que protege contra três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano, é a ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a quadrivalente, que possui uma ampla proteção (acrescentando mais um tipo de influenza B), na rede privada.
“Infelizmente, mesmo recebendo as informações de que a vacina é fundamental e que a gripe mata, ainda assim os índices de vacinação estão abaixo do desejado e os casos continuam aparecendo”, observa o pediatra.
O informe epidemiológico do Ministério da Saúde de 2018 analisa casos de Síndrome Gripal (SG), de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG. Houve 5.278 óbitos por SRAG e, entre esses, 1.381 (26,2%) confirmados para vírus influenza. O estado com maior número de óbitos por influenza em relação ao país é São Paulo, com 42,1% (581/1.381). “Assim, existe a recomendação de vacinação para todos os grupos de risco. Vale ressaltar que a vacina é inativada (feita com partes do vírus morto), portanto, não tem como causar a doença”, lembrou o médico.
O esquema de vacinação recomendado é o seguinte: crianças de seis meses a nove anos de idade devem tomar duas doses na primeira vez em que forem vacinadas (primovacinação), com intervalo de um mês e revacinação anual; crianças maiores de nove anos, adolescentes, adultos e idosos tomam uma única dose anual.
Há grupos com maior risco para a doença e que têm prioridade na vacinação. São eles: crianças de seis meses a cinco anos; gestantes; maiores de 60 anos; profissionais da área de saúde; professores; pessoas de qualquer idade com doenças crônicas (como diabetes, doenças cardíacas e respiratórias, imunocomprometidos, entre outras); população indígena e privada de liberdade.
“Sintomas como dor, vermelhidão e endurecimento no local da aplicação (15% a 20% dos vacinados) costumam ser leves e desaparecem em até 48 horas após a vacinação. Para aliviar esses sintomas pode aplicar compressas frias no local da aplicação, ou, em casos mais intensos pode usar medicação para dor, sob recomendação médica. Febre, mal-estar e dor muscular (1% a 2% dos vacinados) podem começar de seis a 12 horas após a vacinação e persistem por um a dois dias”, disse.

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