Neuralgia do trigêmeo: uma dor que inesquecível

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Uma dor inesquecível. Este é o relato das pessoas que já passaram por um quadro de neuralgia do trigêmeo, a mais comum entre as neuralgias faciais, descrita com uma das piores dores. Ela é descrita como um choque de curta duração, frequentemente envolvendo o maxilar. Além disso, é uma dor que costuma atingir apenas um lado da face. Pode ocorrer diversas vezes ao dia ou algumas vezes no mês, afetando de forma significativa a qualidade de vida do paciente.
Segundo o neurocirurgião Dr. Iuri Weinmann, o nervo trigêmeo leva este nome porque se divide em três ramos na face: o oftálmico, o maxilar e o mandibular. A neuralgia do trigêmeo, portanto, pode afetar todas essas regiões. A Dra. Iara Grisi, neurologista, explica que o trigêmeo ajuda na motricidade da mandíbula (abrir e fechar a boca). “A função principal do trigêmeo sobre a face é sensibilidade e não motora”, esclarece a médica.
A etiologia, ou seja, porque a neuralgia do trigêmeo acontece, ainda é um mistério para a medicina. A neuralgia do trigêmeo é mais prevalente nas mulheres. Cerca de 60% dos casos acometem o sexo feminino. A idade também é um fator de risco, já que há maior prevalência em pessoas com mais de 40 anos, sendo ainda mais comum entre os 60 e 70 anos. Outro fato curioso é que pessoas com hipertensão têm um risco aumentado para desenvolver esta neuralgia.
A dor é o principal sintoma da neuralgia do trigêmeo e pode ocorrer várias vezes por dia, algumas vezes por semana ou por mês. “A dor costuma ser desencadeada por certas situações cotidianas, como escovar os dentes, beber, comer, falar ou tocar no rosto. A crise dolorosa dura de um a dois minutos, mas há casos em que pode durar até 15 minutos”, descreve o neurocirurgião.
Quem já passou por ela, afirma que se trata de uma dor insuportável, em queimação, com pontadas, choque ou ardência nos lábios, gengiva, bochechas e região do maxilar inferior. “Com o passar do tempo, sem o tratamento adequado, há um menor espaçamento entre as crises. Assim, há um aumento da frequência e da intensidade da dor”, explica Dr. Iuri.
Um dos principais problemas é que o paciente pode pensar que a dor tem relação com algum problema dentário, o que pode atrasar o diagnóstico. A investigação do diagnóstico é clínica, com base em um anamnese minuciosa e a exclusão de outras causas, como problemas dentários, cefaleia, tumores, etc. Pode ser feita por um neurocirurgião ou ainda por um neurologista.
A princípio, o tratamento adotado será o conservador, ou seja, a primeira opção é usar medicamentos e fisioterapia. Entretanto, quando o paciente que não responde à terapia medicamentosa, pode ser necessário realizar uma cirurgia.
A Dra. Iara confirma que, de fato, a dor do trigêmeo é lancinante, mas bem controlada com medicamentos. “A cirurgia é raramente utilizada só em casos realmente difíceis, que são raros”, afirma, completando que a maioria dos casos é idiopática, ou seja, não tem causa identificável e que a compressão vascular representa uma pequena parte das possíveis causas e requer indicação cirúrgica muitas vezes.

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