O fim do ano é, para muitas pessoas, uma oportunidade para reflexão, quase sempre uma meditação, ainda que esmaecida da vida interior ou da ligação desta com uma entidade superior. Nem sempre se chega a conclusões brilhantes, mas quase sempre aparece alguma coisa que desperta dentro de nós aquele sentimento que nos faz maiores e mais felizes.

Ao longo do tempo, tem havido mudanças no modo de lidar com esta data, 25 de dezembro, uma das maiores do Mundo Cristão. É lamentável ter de considerar que esta realidade passa do contexto espiritual para o aspecto comercial.

Refletindo sobre o Natal, veio-me à mente um grupo familiar, lá dos anos de 1940, que tinha por dever preparar uma reunião meio festiva (porque fugia ao cotidiano) e, com certa antecedência, deixava tudo encaminhado para, no dia e hora aprazados, fosse servida aquela comilança incrível: leitoa de criação própria, carneiros muito bem cuidados, e que traziam genética de ponta.

Dizia o criador: “carne de fácil digestão, nutritiva e de sabor agradabilíssimo, inconfundível, não se assemelha a nada; boa para o preparo na panela, no espeto e no forno.”

Havia, ainda, pães saborosos, roscas doces e tantas outras delícias preparadas por pessoas competentes e que conseguiam arrancar elogios daqueles que, jamais em outra situação, teriam coragem para exprimir.

Essas pessoas competentes dedicavam-se ao preparo de assados e cozidos porque, nos dias de festa, elas tinham por distração tão somente o trabalho. Nenhum dos membros daquela família conhecia a troca de presentes.

Quando a minha meditação chegou a esse ponto, fui obrigada a contrapor uma situação oposta: uma família atual é feliz tendo por obrigação preparar-se, com bastante antecedência, para a compra de presentes…

 

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