A pandemia tem mudado o papel do homem em casa

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Nunca se falou tanto em home office como nos últimos meses. Trabalhar de casa tem sido a orientação de governos e órgãos de saúde para evitar o contágio e a proliferação do coronavírus. Com a mesma intenção, as escolas suspenderam as aulas presenciais, também para proteger as crianças e evitar contágio. O distanciamento social causado pela pandemia da Covid-19 tem mantido, portanto, muitos pais dentro de casa e feito muitas pessoas assumirem novas funções, sejam elas na cozinha, na limpeza ou cuidando das crianças. E para algumas famílias esta nova dinâmica está proporcionando um aprendizado para todos.
Diante deste cenário de precaução e cuidado, como trabalhar e, ao mesmo tempo, cuidar das crianças que estão sem aulas? Embora as mulheres tenham conseguido diversos avanços nos últimos anos, muitas alegam que as tarefas domésticas ainda estão mal distribuídas. Segundo pesquisas recentes, no Brasil e no mundo, as mulheres dedicam mais horas de seu dia às atividades de limpeza e organização da casa. Se por um lado a pandemia atropelou a tudo e a todos, por outro ela parece ser a situação que faltava para que os homens acordassem e, finalmente, colocassem a mão na massa.
No distanciamento social algumas coisas boas estão acontecendo: redução da poluição, praias mais limpas, natureza revigorada, famílias mais unidas e, oba, pais mais participativos nas atividades domésticas.
Mas será que este modelo vai perpetuar-se após o distanciamento social consequente da pandemia? Então quer dizer que as tarefas estão sendo divididas de forma igualitária? Ainda não! Um braço da Organização das Nações Unidas, a ONU Mulheres, lançou a campanha #ElesPorElasEmCasa, incentivando os homens a compartilharem fotos das tarefas domésticas que assumiram. No perfil da ONU Mulheres a resposta ainda é tímida: uma foto aqui de um homem na pia, outra ali na tábua de passar roupa.
Uma coisa é certa: a pandemia mostrou para os homens o trabalho e o tempo que cuidar da casa, de fato, dá. Se eles estão ou não assumindo parte deste trabalho é resultado de uma série de fatores, que vão desde classe social, valores machistas introjetados e qualidade afetiva na relação conjugal. Mas dá para perceber que muitos homens que não participavam da rotina doméstica da casa estão participando agora, E não podemos esquecer um dado: as crianças estão vendo muitos pais engajando no cuidado com a casa.
Esta referência paterna pode fazer uma imensa diferença nos anos que virão, quando as crianças de hoje se tornarem os adultos de amanhã. Pode ser que além do tempo que o ser humano está dando para o planeta Terra respirar melhor, as dificuldades desta difícil fase sejam um aprendizado e criem uma geração de homens mais comprometidos com o serviço doméstico, mais parceiros e, que legal, mais envolvidos com a criação de seus filhos. Afinal de contas, toda situação, por pior que seja, sempre tem um lado bom. Talvez o lado bom da pandemia seja este.

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