Na edição passada, trouxemos uma matéria sobre o Viola do Bem, evento que será feito em prol do Hospital de Câncer de Barretos, o hospital que se tornou referência nacional no tratamento de umas das doenças que mais dizima. E dentre os mais comuns, está o câncer de mama. É o segundo tipo de câncer com maior incidência no mundo, sendo superado apenas pelo de pele. Apenas em 2016 foram projetados mais de 55 mil novos casos no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A notícia boa é que além de ter gente trabalhando para angariar fundos para os hospitais que cuidam de pessoas com câncer, há também quem estude alternativas para minimizar o problema. Com o esforço conjunto, as chances de cura têm aumentado muito nos últimos anos, em especial graças ao hábito cada vez mais rotineiro do acompanhamento médico especializado e realização de exames clínicos e de imagem direcionados, o que permite diagnósticos mais precoces da doença.

E é na fase do diagnóstico, quando se começa a considerar as várias formas possíveis de tratamento e cura, que a paciente, juntamente com seu médico, deve também ter acesso a informações claras sobre a necessidade e a possibilidade da mastectomia como alternativa, além de uma consequente reconstrução mamária. O cirurgião plástico Dr. José Neder Netto, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), esclarece, em entrevista ao O Combate, que para cada tipo de câncer de mama, haverá uma alternativa de tratamento e, no caso da mastectomia, um tipo específico de cirurgia proposto pelo mastologista, que pode ir desde a retirada exclusivamente do tumor até procedimentos mais invasivos e abrangentes envolvendo glândula, mama, aréola, mamilo e pele. “Todo esse processo pode acarretar inúmeros traumas”, diz.

Desse modo, sempre com o acompanhamento e avaliação do mastologista, a paciente poderá recorrer às muitas possibilidades de reparação e reconstrução mamária. Afinal, se por um lado, a reconstrução da mama é “um procedimento física e emocionalmente gratificante para uma mulher que perdeu a mama devido ao câncer ou a outra situação”, por outro, representa uma decisão que deve ser tomada com total consciência e avaliação de todas as variáveis envolvidas no processo, do pré-operatório ao período de recuperação. Portanto, o recomendável é que a paciente procure informações.

Dr. Neder: “A reconstrução é um fator de conforto psicológico e reinserção da mulher em sua vida social, afetiva e sexual, mas nada irá substituir o conforto do carinho familiar, o suporte vindo de amigos e a segurança dos grupos de apoio”.

O médico aponta alguns aspectos que precisam ser considerados antes da cirurgia de reconstrução mamária: a sensibilidade da mama reconstruída não será a mesma; sempre haverá cicatrizes, tanto na mama, quanto em certas áreas menos expostas do corpo de onde forem extraídos tecidos doadores; em alguns casos, poderá haver perda parcial ou total de sensibilidade tanto no local doador quanto no da reconstrução; o uso de implantes, retalhos, enxertos e outras técnicas cirúrgicas devem ser consideradas com cuidado e atenção, sempre com o apoio dos especialistas envolvidos.

É na primeira consulta que devem ser esclarecidas todas as dúvidas sobre esse longo processo. Sendo assim, o recomendável é que a paciente nunca vá sozinha às consultas – levando consigo alguém de absoluta confiança – e que tenha sempre, por escrito de preferência, uma lista com suas perguntas e dúvidas, sem qualquer tipo de constrangimento. É importante sempre frisar: informação é fundamental.

Quanto ao período de recuperação, ele irá variar muito de caso para caso e os efeitos colaterais de uma reconstrução também são muito diversos. Mas hoje há procedimentos pós-operatórios que estão apresentando excelentes resultados. O Dr. Neder lembra a existência de tatuagens 3D que dão ótima ilusão de mamilos e aréolas.

 

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