Super-heróis violentos podem influenciar negativamente as crianças?

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Em um gênero cinematográfico em alta, os super-heróis corajosos detêm poderes especiais para proteger o público dos vilões. Mas apesar dos temas positivos que esses filmes abordam, novas pesquisas sugerem que os super-heróis idolatrados pelos jovens podem enviar uma mensagem fortemente negativa quando se trata de violência. De fato, de acordo com um estudo apresentado na 2018 National Conference & Exhibition, pela Academia Americana de Pediatria, os mocinhos dos filmes se envolvem em atos mais violentos, em média, do que os vilões.
Pesquisadores deste estudo analisaram dez filmes de super-heróis lançados entre 2015 e 2016. Eles classificaram os personagens principais como protagonistas (mocinhos) ou antagonistas (vilões) e usaram uma ferramenta padronizada para compilar atos específicos e os tipos de violência retratados nos filmes. Os pesquisadores registraram uma média de 23 atos de violência por hora associados aos protagonistas dos filmes, em comparação com 18 atos violentos por hora para os antagonistas.
Os pediatras alertam que crianças e adolescentes veem os super-heróis como mocinhos e podem ser influenciados pela representação de comportamentos de risco e atos de violência. “Para ajudar a neutralizar a influência negativa que os filmes de super-heróis podem ter sobre as crianças, as famílias devem assistir aos filmes juntas e conversar sobre a violência vista nas telas. A questão não seria proibir as crianças de assistirem os filmes de super-heróis, mas sim, discutir as consequências desta violência com seus filhos”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski.
A psicóloga e psicopedagoga Patrícia Machado Domingues comenta que segundo Diana e Mário Corso, os filmes costumam retratar e inspirar os comportamentos de cada época, mostrando nas telas as tendências, os estilos, os medos e os desejos do momento por meio da fantasia e ficção. “Um filme é uma fantasia criada para entreter milhões de expectadores, sendo assim uma fantasia compartilhada, principalmente porque será massivamente divulgado pela mídia e aparecerá também em produtos e brinquedos para o público infantil, nos casos dos super-heróis, por exemplo. Assim, é difícil a criança escapar dessa realidade fantasiosa. Ela pode não assistir ao filme, mas terá acesso ao seu conteúdo na escola, nas brincadeiras com os colegas, nas propagandas e nos produtos”, avaliou Patrícia.
Ela diz que as crianças quando brincam estão canalizando e projetando sua agressividade num processo criativo, numa construção ativa podendo encarnar o mocinho ou o vilão. “O mocinho, que não é só bom, assim como todos nós, traz no interior sentimentos e pensamentos bons e ruins, agressivos e amorosos. Os pais podem assistir com os filhos e levar a essas reflexões, deixar as crianças expressarem o que sentem, sem juízo de valor e, a partir disso, construir alternativas mais pacíficas, por exemplo, por meio de outras brincadeiras e atividades. O problema não está na criança assistir ao filme, mas está na criança que só tem acesso a isso e que só quer consumir esses produtos. É essa hiperestimulação que não deixa lugar para o pensamento, só é preenchido pelo consumo. Quando assistimos um filme, não somos apenas expectadores passivos, pois eles despertam em nós pensamentos, sentimentos e atitudes, então o desafio é: o que faremos com isso? A restrição de conteúdo vale a pena ao considerarmos o que será expresso nos filmes e a idade da criança. Se ela é exposta a conteúdos muito violentos, desde muito nova e sem acompanhamento, isso pode ser uma forma de negligência e causar muitos danos a ela, que podem refletir em seu comportamento ou sentimentos. Nesses casos, a família e a escola podem atuar observando e reorientando essas práticas, oferecendo outras atividades, brincadeiras, histórias e filmes. Nos casos mais sérios e complexos, a terapia infantil também se faz necessária e é uma grande recurso para trabalhar o potencial criativo da criança”, concluiu Patrícia.

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