Suplementos de óleo de peixe geram polêmica em tratamento ocular

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A doença do olho seco é uma condição crônica comum que é caracterizada por desconforto ocular e distúrbios visuais que diminuem a qualidade de vida. Muitos oftalmologistas recomendam o uso de suplementos de ômega-3 para aliviar os sintomas. No entanto, há um grupo que defende que suplementos de ácidos graxos ômega-3 tomados por via oral não são melhores que placebos no alívio dos sintomas ou sinais de olho seco. É o que apontam os resultados de um estudo controlado pelo National Eye Institute, órgão do National Institutes of Health (EUA). O artigo foi publicado no New England Journal of Medicine.
“O estudo fornece a evidência mais confiável e generalizável até agora sobre a suplementação de ômega-3 para a doença do olho seco. Apesar das evidências insuficientes que estabelecem a eficácia do ômega-3, os oftalmologistas e seus pacientes se inclinam a experimentar os suplementos para uma variedade de condições com componentes inflamatórios, incluindo o olho seco. Este estudo controlado, conduzido pelo grupo de pesquisa Dry Eye Assessment and Management (Dream), conduzido de forma independente, mostra que os suplementos de ômega-3 não são melhores que placebos para pacientes típicos que sofrem de olho seco”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.
A pesquisa envolveu 27 centros oftalmológicos e 535 participantes com pelo menos seis meses de história de olho seco de moderada a grave. Neste grupo, 349 pessoas foram aleatoriamente designadas para receber 3 gramas diárias de ácidos graxos ômega-3, derivados de peixe, em cinco cápsulas. Cada dose diária continha 2000 mg de ácido eicosapentaenóico (EPA) e 1000 mg de ácido docosahexaenóico (DHA). Esta dose de ômega-3 é a mais alta já testada para o tratamento da doença do olho seco.
As 186 pessoas aleatoriamente designadas para o grupo placebo receberam 5 gramas diárias de azeite (cerca de 1 colher de chá) em cápsulas idênticas. Os participantes do estudo e os pesquisadores não sabiam a atribuição de cada grupo.
Exames de sangue, aos 12 meses, confirmaram que 85% das pessoas no grupo ômega-3 ainda estavam em conformidade com a terapia. No grupo ômega-3, os níveis médios de EPA quadruplicaram versus nenhuma mudança no grupo placebo. Os níveis médios de ácido oleico, o componente do azeite, permaneceram estáveis ​​em ambos os grupos de tratamento.
“É importante ressaltar que, ao contrário da maioria dos ensaios patrocinados pela indústria, todos os participantes estavam livres para continuar fazendo uso dos seus medicamentos anteriores para o olho seco, como lágrimas artificiais e colírios anti-inflamatórios prescritos”, afirma a oftalmologista Sandra Alice Falvo, do IMO.
Segundo a médica, o ômega-3 é geralmente usado ​​como terapia adjuvante. “Os resultados do estudo estão no contexto desta experiência do mundo real de tratar pacientes com olho seco sintomáticos que solicitam tratamento adicional”, explica Sandra, em entrevista ao O Combate.
Os sintomas relatados pelos pacientes fdas pessoas no grupo controle alcançaram pelo menos uma melhoria de 10 pontos em seu escore de sintomas, mas a diferença entre os grupos não foi estatisticamente significativa.
Não houve diferenças significativas entre os grupos em termos de melhora dos sinais de olho seco. Os sinais de olho seco foram avaliados pelo oftalmologista usando testes padronizados que medem a quantidade e a qualidade das lágrimas e a integridade da córnea e da conjuntiva.
“As descobertas também enfatizam a dificuldade em julgar se um tratamento realmente ajuda um paciente com olho seco em particular. Mais da metade das pessoas que receberam placebos relataram melhora substancial dos sintomas durante o estudo de um ano. No entanto, os resultados do estudo não suportam o uso de suplementos de ômega-3 para pacientes com doença de olho seco de moderada a grave”, destaca a oftalmologista.
O Dr. Paulo Paccola, de Ribeirão Preto, disse que o ômega tem indícios de melhora para olho seco. “Temos prescrito para alguns pacientes. Mas recentemente saiu um estudo longo que contestou a eficácia do ômega para proteção de doenças cardíacas, que era algo muito alardeado. Foi provado que ele não protege a parte cardiovascular. O ômega não está numa boa fase. Não está muito bem visto como era antigamente e então ficamos reticentes quanto a atestar a eficácia completa deste produto. Se funciona realmente é difícil saber porque acabamos entrando também com outros coadjuvantes”, encerrou o Dr. Paccola.

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