Trabalho da Unesp ganha prêmio alemão

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Muita gente que chega na Horta da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) – Unesp Jaboticabal, e vê umas flores trepadeiras muito simpáticas, mas que até arranham, não sabe do que se trata. Já o aluno de Doutorado, Renan, e sua oriantadora, a professora Leila, conhecem bem do assunto, que foi até premiado por uma empresa alemã.
O Grupo Barth-Haas é o maior fornecedor mundial de produtos e serviços relacionados ao lúpulo. Ativo em todos os continentes, o Barth-Haas acompanha seus clientes e parceiros ao longo de toda a cadeia: da criação e cultivo ao processamento e à comercialização de produtos de lúpulo. O grupo valoriza muito a pesquisa e a adaptação do lúpulo ao clima brasileiro (tropical), tema do estudo do engenheiro agrônomo Renan Furlan, foi alvo da premiação de 2018. O prêmio consistiu na entrega de um troféu, no pagamento de dois mil euros (cerca de R$ 8.500) e na publicação dos nomes dos envolvidos no projeto da FCAV na newsletter da empresa.
Renan conta que o Núcleo de Estudos em Olericultura e Melhoramento (Neom) da FCAV desenvolve um projeto para obtenção de cultivares de lúpulo adaptadas às condições tropicais. Renan faz Doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas, e sua orientadora é a Prof. Dra. Leila Trevisan Braz.
O pós-graduando explica que o Humulus lupulus, conhecido popularmente como lúpulo, é uma planta trepadeira que apresenta algumas características particulares, como o rápido crescimento. Pode alcançar um crescimento de 20cm a 30cm ao dia, chegando a medir de 5m a 7m de altura em menos de cinco meses. “A parte da planta que desperta o interesse comercial é a flor feminina, popularmente chamada de cone. No cone, são encontradas glândulas de lupulina, que contêm os alfa-ácidos, beta-ácidos e os óleos essenciais, que são os definidores das características de cada cultivar. O lúpulo é conhecido mundialmente como um dos quatro ingredientes básicos para a fabricação da cerveja, junto com a água, o malte e a levedura. Essencial na fabricação da cerveja, o lúpulo tem a capacidade de agregar amargor, sabor e aromas e, além disso, também apresenta propriedades bactericidas que protegem a fermentação”, conta Renan.
A professora Leila completa dizendo que “cerca de 98% da produção mundial é destinada à indústria cervejeira, mas o lúpulo também tem sido utilizado na medicina tradicional, como agente antimicrobiano, anti-inflamatório, calmante e até mesmo em testes no combate ao Alzheimer”. Ela foi procurada pelo aluno para embarcarem nesta pesquisa e a princípio relutou, mas Renan insistiu e hoje ambos estão aprendendo juntos sobre as novas cultivares que surgem a partir do cruzamento que é feito com plantas macho e fêmeas. “O lúpulo é uma planta dioica, ou seja, apresenta os sexos separados. Para se realizar os cruzamentos controlados, é necessário manter as plantas femininas e masculinas separadas, para que se saiba qual o pólen que fertilizou cada flor feminina. Após a polinização, obtêm-se sementes que precisam passar por um processo de quebra de dormência. São necessários cerca de dois meses em temperaturas em torno de cinco graus para germinarem. Após a germinação, as plantas já começam a ser avaliadas nas condições climáticas da região, o que ajuda a selecionar as que se mostrarem superiores”, disse a docente.
A premiação do Grupo Barth-Haas, sediado na Alemanha, aconteceu no final do ano passado e deixou tanto o aluno como a professora felizes da vida, afinal de contas se trata de uma premiação da maior empresa da cadeia de lúpulo no mundo. O concurso escolheu cinco estudantes com projetos inovadores sobre lúpulo. O prêmio foi decidido por um júri composto por sócios-gerentes da Barth Haas e membros da equipe científica.

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