Traição ou distração?

262

Tem quem diga que “trair e coçar é só começar”. E depois das redes sociais, dos aplicativos e dos sites de relacionamento, a traição pode estar na ponta dos dedos, literalmente. E que você faria se descobrisse que seu (sua) parceiro (a) mantém um perfil em um destes aplicativos? Será que apenas ter o perfil pode ser considerado traição?
Para a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo, descobrir que o (a) parceiro (a) tem um perfil em sites e aplicativos de relacionamento não é o fim do mundo, mas pode ser um sinal de que a relação precisa de ajustes. “Nesses casos é importante manter a calma. Claro que a descoberta pode gerar raiva, frustração e tristeza, mas isso não justifica atitudes extremas. O melhor é conversar e entender porque o (a) parceiro (a) fez isso e até onde chegou, ou seja, se ficou no virtual ou foi para o real”, disse.
A psicóloga comenta que muitas pessoas usam aplicativos de paquera para melhorar a autoestima, por exemplo, sem a intenção de trair. “Conversar, sentir-se desejado e conhecer pessoas podem ser outros motivos, que não especificamente procurar um ‘crush’ ou um caso extraconjugal”, afirma Denise.
Mas, participar de sites ou aplicativos de paquera é traição ou não? Segundo Denise, cada um tem seu próprio conceito de infidelidade. Para algumas pessoas, um olhar já pode significar uma traição e para outras é preciso ter contato íntimo ou envolvimento afetivo para considerar-se traído. “Por isso, cada casal poderá fazer uma leitura diferente. Podemos dizer que a traição acontece quando um dos membros do casal quebra os acordos e os combinados daquela relação”, afirma Denise.
Na sua opinião, os casais precisam encontrar novas maneiras de lidar com as novidades e definir os limites. Para Denise, o problema não é a tecnologia, mas sim a maneira como as pessoas se comportam, seja no mundo virtual ou não. “A traição é e sempre será uma questão de escolha. Há outras maneiras de trabalhar a autoestima e sentir-se desejado, sem precisar participar de sites de relacionamento”, diz.
Ela sugere que o casal seja transparente quanto à participação nas redes sociais, seja ela qual for. O casal, a seu ver, precisa criar suas regras e conversar sobre a traição, assim como estabelecer os limites e entender o que é considerado infidelidade e o que não é. “O ideal é colocar-se no lugar do outro. Isso quer dizer que antes de sair criando perfis em sites de relacionamento, pergunte se você gostaria de descobrir que seu (sua) parceiro (a) também tem um. Como você se sentiria? É indispensável fazer esta pergunta”, avalia Denise.
De acordo com a psicóloga, não importa qual é a rede social usada para procurar um crush ou um caso extraconjugal, o fato é que se o relacionamento não está bom, não adianta excluir o perfil, pois isso não vai resolver os conflitos. O que resolve é sentar e conversar abertamente sobre o que precisa ser melhorado para que ambos se sintam felizes e satisfeitos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui.