Venda de medicamentos psiquiátricos aumenta a cada dia

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Basta você começar a bater papo em um grupo, independentemente da idade, da classe social ou da profissão, para descobrir que boa parte das pessoas naquele grupo faz uso de medicamento psiquiátrico, a maioria para transtornos como depressão ou ansiedade. A venda deste tipo de remédio quase dobrou nos últimos cinco anos, segundo análise da Organização Mundial de Saúde, a OMS.
A amplitude do uso desses medicamentos para outros problemas também ajudou a aumentar as taxas de vendas. Alguns antidepressivos, por causar sono, são indicados para problemas de insônia ou para tratar ansiedade, por exemplo. E já foi observado que, no mundo inteiro, diante de crises econômicas ou crises sociais, as pessoas passam a tomar mais medicamentos psiquiátricos.
Para especialistas, o aumento de vendas, no entanto, se dá não apenas pelo aumento de doenças, mas por diagnósticos errados e banalização de prescrição. A automedicação também é um problema. Se uma amiga que andava muito nervosa e irritada está tomando um remédio que a deixou super bem, a outra vai lá e compra também. Pede para o médico ou consegue quem vende sem receita. Às vezes até ganha de alguém para a qual o medicamento havia sido prescrito, mas foi trocado.
E sempre que há aumento significativo no consumo de medicamentos psiquiátricos uma pergunta fica no ar? Será que as pessoas estão, de fato, mais doentes ou será que está havendo displicência no consumo? O psiquiatra Vinícius Faria, que é entusiasta da necessidade de cuidar da saúde mental e nos deu, há duas edições uma entrevista sobre o Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a saúde mental, lembra que os números indicam que tem aumentado os casos de depressão e ansiedade. “O Brasil é um dos países que mais tem casos no mundo. Isto acontece por vários motivos e nosso estilo de vida é um deles. Estresse, insegurança física e econômica, padrões de trabalho que vivem em busca de perfeição e produtividade são outros. Ou seja, toda estas exigências externas que acabam contribuindo para que aquelas pessoas que têm o maior risco adoeçam. É claro que entram questões mulfatoriais, genética, biológica, mas o estilo de vida que temos hoje, um estilo de vida tóxico, favorece para que transtornos como ansiedade e depressão apareçam”, esclarece o Dr. Vinicius.
Segundo o psiquiatra, por outro lado, as pessoas têm tido mais acesso aos dispositivos de saúde e vão mais ao médico, além do preconceito com a saúde mental estar diminuindo e as pessoas procurarem mais psicólogos e psiquiatras, o que leva a mais diagnósticos e, consequentemente, mais tratamento e mais medicação.
“O que acontece também é que a maioria das pessoas que precisa de assistência em saúde mental ainda não tem acesso, ou seja, são pessoas que deixam de receber tratamento, e muitas pessoas que têm mais acesso à saúde, muitas vezes recorrem ao uso de remédio sem necessidade, para medicar as emoções ou medicar situações de vida. Para que isto não aconteça é preciso um equilíbrio, serviços de saúde mental bem estruturados e profissionais bem qualificados para que todos tenham acesso aos tratamentos, mas que as medicações sejam usadas de maneira racional e corretas e não para medicar situações de vida normal, que poderiam ser tratadas de outras maneiras”, comentou o Dr. Vinícius, referindo-se a uma possível banalização do consumo de medicamentos psiquiátricos.

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