Será que a maioria dos casais permanece junto após uma traição?

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A traição ainda é um dos maiores medos dos casais brasileiros. Pesquisa feita pelo Instituto do Casal, no final de 2016, mostrou que a ameaça da infidelidade só perdia mesmo para o receio de ter doenças na família, ficar viúvo ou deixar de ser amado. Para a psicóloga e terapeuta de casais Denise Figueiredo, do Instituto do Casal, manter uma relação de confiança deve ser a base de qualquer relacionamento, mas ninguém está a salvo de passar pela traição. Por isso, a pergunta é: o que fazer quando essa confiança é quebrada e a infidelidade acontece? “Lidar com a descoberta de um relacionamento extraconjugal sempre será desafiador para qualquer casal. A traição pode ser devastadora, tanto para quem traiu, quanto para quem foi traído. Surgem sentimentos como raiva, culpa, tristeza, indignação, ciúmes e medo. A confiança e todos os acordos estabelecidos são quebrados. É um momento muito difícil e delicado”, comenta Denise. Mas, ao contrário do que se possa pensar, a maioria dos casais permanece junto depois de uma traição, segundo a psicóloga Marina Simas de Lima, também  do Instituto do Casal. “Um caso extraconjugal pode ser um sinal de alerta de que o relacionamento não vai bem e que precisa ser reavaliado. Isso exige dos casais uma reflexão mais profunda, o que pode significar, no final deste processo, uma oportunidade de reconstruir essa relação do zero”, comenta. Quando o casal decide passar por cima e permanecer junto, podem surgir outros problemas, como por exemplo, uma espécie de paranoia de ser traído novamente. “Claro que a confiança vai ser reconstruída aos poucos e no começo pode ser normal ficar apreensivo com atrasos, telefonemas e outros comportamentos suspeitos. Porém, não contribui para o processo de superação sufocar o (a) parceiro (a) ou tentar controlar todos os passos do outro para evitar ser traído novamente”, comenta Denise. “Não podemos estar com o outro 24 horas por dia, certo? As pessoas costumam trabalhar, estudar, ter suas atividades rotineiras. Então, a sensação de controle sob o outro é totalmente ilusória, não temos esse poder. Só podemos controlar a nós mesmos e trabalhar para que o relacionamento melhore. Cada membro desse casal precisa fazer a sua parte e cumprir aquilo que foi acordado”, diz Marina. As especialistas comentam que depois de uma traição, o primeiro casamento acaba. “Ao longo da vida a dois construímos vários casamentos, ou seja, refazemos os acordos várias vezes, pois o ser humano vive em constante transformação. Um casal jovem não será o mesmo em 10, 15 ou 20 anos. Os sonhos mudam, os objetivos serão outros, assim como o relacionamento irá se transformar. Portanto, a traição pode ser vista como a quebra de todos os acordos e a reconstrução de outros.  Como diz o ditado Você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim,”, concluem Denise e Marina. A psicóloga Eliete Cascaldi Sobreiro concordo com as ideias expostas pelas colegas. “Não é nada fácil aceitar uma traição, porém é possível – se for do desejo do casal- continuar junto após a traição. É um trabalho árduo, lento e pode produzir uma relação diferente e às vezes melhor (em alguns casos)”, destacou Eliete.

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