Deparei-me com um fato que, até então, não me era consciente: a cidade dos meus afetos!
Quando solicitada a falar da minha cidade natal – Jaboticabal- meus pensamentos e sentimentos, sempre voam para aquela cidade, onde vivi minha infância e adolescência. Tenho ela como a cidade dos meus afetos, um afeto nostálgico, é verdade… E uma forte devoção, em relação, à minha terra de origem e de pertencimento.
Nasci na Avenida do Carmo – nome lindo-, que inicia, bem em frente, ao Colégio Santo André e tem a igreja de Nossa Senhora Aparecida, no alto da avenida.
Tenho a lembrança das pessoas, ao chegarem à esquina, traçarem o Sinal da Cruz e eu criança, acreditava que Deus, ali deveria morar!
Porém, voltando ao presente, gostaria de falar da cidade dos meus afetos, na atualidade, onde vivo com minha família, trabalho e tenho amigos queridos, e alcançar as mesmas emoções e sensações prazerosas, como quando me recordo dos tempos passados.
Lembrei-me, então de um conto – Torta de Amoras – de Sonia Kramer que escrevo, resumidamente, para vocês.
É a história de um rei que tinha todo o poder e todos os tesouros da Terra, porém era infeliz e cada vez mais melancólico.
Num determinado dia, chamou seu fiel cozinheiro e lhe pediu que fizesse uma torta de amoras, tal qual a que ele havia saboreado em sua juventude, ao acompanhar seu pai em uma batalha quando, em determinado momento, encontrou uma velha senhora num bosque que lhe serviu a deliciosa torta de amoras e ele, imediatamente, sentiu-se consolado e com novas esperanças.
O cozinheiro, ao ouvir o seu pedido, respondeu-lhe com tristeza que, embora conhecesse todos os ingredientes da torta de amoras, com certeza, ela não agradaria o paladar do rei, pois não haveria como temperá-la com tudo aquilo que, naquela época, ele havia desfrutado. É a mais pura verdade!
Como desfrutar a vida calma e elegante de nossa cidade nos idos de 60/70?
Como sentir o mesmo sabor da deliciosa canja do Clube Jaboticabal nas noites de Carnaval?
Como sentir aquela fé pura sendo construída nas procissões, ou o amor acontecendo, através dos correios- elegantes, nas quermesses?
Onde está a cidade dos meus afetos? Hoje, Jaboticabal é outra cidade; tem outro jeito de viver, e eu também! Agora, experimento novos prazeres e construo novas memórias que, certamente, daqui alguns anos, sentirei saudades ao relembrar.
Parabéns à minha cidade, desejo que ela ganhe muitos canteiros de rosas de variadas cores, que suas ruas sejam elegantes e seguras onde transitem pessoas gentis. Desejo que cresça oferecendo futuro aos seus filhos e que preservem um pouco mais as poucas edificações do passado que ainda restam, para que possamos cultivar nossa história, cultivar a cidade dos meus afetos.
Minha eterna gratidão a Jaboticabal, nossa Terra maravilhosa!









