Nos últimos 50 anos, houve um declínio na duração e na qualidade média do sono, com consequências adversas na saúde geral. Uma pesquisa representativa de 1.508 adultos americanos revelou que 90% dos americanos usavam algum tipo de mídia eletrônica algumas noites por semana, uma hora antes de dormir e a preocupação com a emissão de luz dos aparelhos eletrônicos também aumentou.
Um estudo divulgado recentemente tem criado tanta preocupação, quanto alarme nas agências de notícias em todo o mundo. Mas os especialistas alertam para as conclusões infundadas sobre os efeitos potenciais da luz azul no olho. “Este estudo não é um motivo para parar de usar suas telas. O uso de telas eletrônicas não causa cegueira. A pesquisa vem da Universidade de Toledo e foi publicada em Scientific Reports. Os pesquisadores analisaram o que acontece quando uma substância química específica, retinol, é exposta à luz azul. O retinol está presente nos olhos. E a luz azul entra no olho, tanto naturalmente, via luz do sol, como pelas telas eletrônicas. Mas as descobertas do estudo não podem ser transformadas em recomendações”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.
Segundo ele, é preciso observar com cautela vários pontos do estudo: os experimentos não imitam o que acontece nos olhos das pessoas; as células que foram testadas não são derivadas das células da retina; as células do estudo não foram expostas à luz, da mesma maneira que as células do olho são naturalmente expostas à luz. Em outras palavras, os pesquisadores pegaram células que não são do olho, as uniram com a retina de uma forma que não acontece no corpo e expuseram às células para brilhar de uma forma que não acontece na natureza.
Os especialistas alertam sobre as preocupações reais a respeito do uso da tela e a segurança dos olhos. “Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ocular, converse com seu oftalmologista. Seu médico pode fazer recomendações certas para você e seu estilo de vida.
Há evidências de que a luz azul pode interferir nos ritmos circadianos dos seres humanos, tornando mais difícil adormecer. Para algumas pessoas, pode ser uma boa ideia limitar o tempo de tela antes de dormir. Ou filtrar a luz azul das telas antes de dormir”, afirma, em entrevista ao O Combate, a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que integra o corpo clínico do IMO. Ela lembra que ficar muito tempo olhando para a tela pode fazer com que os olhos pareçam secos, cansados ou tensos. A solução é fazer pausas por 20 segundos, a cada 20 minutos”, encerra a Dra. Sandra.









