Uma dor pior do que a do parto ou de um osso quebrado. Esta é a descrição do sintoma causado por cálculos (pedras) nos rins, que a maior parte das pessoas já ouviu falar. O que nem todos sabem é que esse problema aumenta 30% no verão, segundo pesquisas. Justamente por isso, é nessa estação do ano que a prevenção se torna mais necessária, explica o Dr. Gabriel Barbosa Franco, membro da Sociedade Brasileira e da Associação Americana de Urologia.
Isso ocorre porque o calor e o aumento do suor, associados a uma ingestão de líquidos inadequada, causam desidratação, tornando a urina mais concentrada, facilitando o depósito de cristais nos rins e, posteriormente, a formação dos cálculos, mesmo em pessoas que não possuem predisposição genética para o problema.
Segundo o médico, a prevenção consiste, principalmente, em ingerir bastante água. A famosa garrafinha deve ser uma companheira constante nos dias quentes. Não se expor ou fazer atividades físicas ao ar livre nos horários em que o sol está a pico também ajudam, pois evitam o suor excessivo. Além disso, é importante reduzir a ingestão de sal, que causa a retenção de líquidos no organismo.
O Dr. Franco diz ainda que o tratamento depende muito dos sintomas, tamanho, localização e dureza dos cálculos. Geralmente, 80% deles são pequenos e acabam sendo eliminados rapidamente pela urina. Além disso, existem tratamentos com medicação, com litotripsia e até mesmo cirurgias. Vale lembrar que, com o avanço da medicina, atualmente as operações mais realizadas são minimamente invasivas, sem cortes com uso de laser.
De acordo com o nefrologista Ernani Gusmão, a maioria dos cálculos renais é constituída por oxalato de cálcio. Para evitar que isso aconteça, é importante ingerir muito líquido. “Não somente água, mas também sucos e frutas cítricas, que são de certo modo preventivos, uma vez que dificultam a precipitação dos sais sob forma de cristais na urina e, consequentemente, na formação de oxalato de cálcio”, explicou. Para o nefrologista o ideal é ingerir de 3 a 4 litros de líquidos por dia. É importante também esvaziar a bexiga antes de senti-la cheia.
A perda de líquido não seria um problema se as pessoas ingerissem a quantidade adequada de água, o que nem sempre acontece. Para o Dr. Gusmão, o Nordeste Brasileiro concentra o maior número de incidência da doença durante o verão. “Fatores pessoais associados a fatores ambientais podem ajudar no problema. O indivíduo que habita em região que é seca, perde muito líquido e, ao mesmo tempo, ingere pouco líquido, o que facilita para a proliferação”, concluiu.
Cerca de 15% da população brasileira apresenta cálculos renais. Em 85% dos casos, são pequenos e expelidos pela urina. O restante dos pacientes apresenta dores fortes e infecções, necessitando de tratamento ou intervenção cirúrgica. Metade das pessoas que já tiveram e eliminaram uma pedra no rim, podem apresentar novo episódio nos cinco a sete anos seguintes. Existe uma tendência maior do problema em pessoas do sexo masculino, mas o cálculo renal pode se formar em homens ou mulheres, de crianças a idosos.
“Se sentir cólica renal, o ideal é ir para o hospital, onde os médicos aplicam soro e medicamentos para aliviar a dor. Em 90% dos casos, as pedras são liberadas de forma espontânea. Isso acontece quando o cálculo tem até 6mm, mas o tempo para eliminar varia de um paciente para o outro. Em casos mais graves – quando há dor e infecção urinária, mas o cálculo não sai de forma natural – é necessário retirá-lo cirurgicamente”, encerrou o Dr. Gusmão.









