A célebre, machista e infeliz brincadeira que diz que “lugar de mulher é na cozinha” já foi há muito substituída pela já conceituada frase “lugar de mulher é onde ela quiser”. Priscila, Danielle e Tatiana sabem bem disto e escolheram qual o seu lugar: na cozinha, sim, no cabeleireiro, nas festas, nas ações sociais e, a melhor delas para muitas, no campo.
Priscilla Fumes Bellodi é esposa e filha de agricultor. Danielle Bellodi Baratela é filha e Tatiana Bento é esposa. As três integram o Núcleo da Mulher da Coplana – Cooperativa Agroindustrial, e junto com a colaboradora da Cooperativa Tamiris Gregório foram alvo de reportagens nacionais, mostrando para o Brasil o que o Núcleo pretende, que é basicamente inserir as mulheres que ainda estão de fora do agronegócio.
As loiras negam o estigma de esposa, filha ou qualquer tipo de parentesco que as coloquem em segundo plano, como mera espectadoras de um processo tão importante para o desenvolvimento do Brasil, e assumem a força da mulher participando de cada ação relativa às suas propriedades. Danielle está aprendendo tudo sobre gerenciamento agrícola e sobre soja e cana. Tatiana não perde nenhuma reunião técnica ao lado do marido e já dá explicações até sobre milho. E a agrônoma Priscila mostra que o campo é sua primeira casa e demonstra intimidade tanto em montaria, como em dirigir um trator. Converse com Priscila sobre tomate, cebola ou cana e lá vem uma aula.
“Tenho muito prazer em trabalhar na agricultura e honrar meus antecedentes, que suaram para conquistar o que hoje temos. Lugar de mulher é mesmo onde ela quiser e o meu é aqui”, conta Priscila, cujas palavras ecoam e vão ao encontro dos pensamentos de Tatiana e Danielle. “Meu pai só tem filhas, então cabe a nós sabermos tudo sobre um negócio que é também nosso. Não dá para ficar apenas assistindo de camarote, tem que participar”, comentou Danielle, enquanto Tatiana, que é enfermeira de formação e hoje entende tudo de agronegócio, encerra “Tem que participar, colocar a mão, mas não descuidar da vaidade e dos outros papéis de mãe, esposa e mulher”.
A mulher no agronegócio
O agronegócio brasileiro representa parte essencial da economia brasileira. Em 2015 foi responsável por 46% das exportações do país, e um saldo comercial de US$ 75 bilhões (MAPA, 2016). A produção de grãos foi de 207 milhões de toneladas na safra 2014/15, tendo aumentado mais de 8% em 205/16. A mulher sempre foi parte relevante da garantia pela segurança alimentar e nutricional das famílias, por participar historicamente do desenvolvimento da agricultura. No entanto, sua presença permaneceu discreta por muito tempo no setor. Hoje a participação das mulheres de maneira ativa nas diferentes ocupações da sociedade integra uma realidade cada vez mais crescente. No agronegócio não é diferente. Em 2015, metade dos 243 formandos da tradicional Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo foi do sexofeminino. Nos leilões, feiras e eventos do setor, elas já representam 20% do público, além de participarem em Comitês de Mulheres, recentemente criados nos Sindicatos e Federações de proprietários rurais. O último Censo Agropecuário do IBGE mostrou que a participação feminina era de aproximadamente 13% na direção dos trabalhos em estabelecimentos agrícolas.
As mulheres desta reportagem estão organizando a participação no 2˚ Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro no Transamérica Expocenter, em São Paulo. Este ano, o tema central do Congresso é “Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada” e trará 15 workshops práticos.









