A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) preocupa as autoridades sanitárias devido ao aumento de sua incidência nos últimos anos, aliado ao fato da situação epidemiológica da enfermidade ser desconhecida na maioria das regiões. Avançando pelo interior de São Paulo e chegando cada vez mais próximo à capital, a doença se espalha rapidamente e seu controle depende da atuação dos médicos vetrinários, dos gestores públicos e da população.
A informação é da médica veterinária e docente do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) – Unesp Jaboticabal, Prof. Dra. Karina Bürger. “O cão é sempre a alegria da casa. E como qualquer integrante da família, quando ele fica doente, várias preocupações tomam conta dos donos tutores”, afirma.
Ela explica que a leishmaniose é uma zoonose causada por um protozoário do gênero leishmania e transmitida por um mosquito, birigui ou mosquito palha. Diferentemente do mosquito da dengue, o mosquito palha faz oposição em locais úmidos e rico em matéria orgânica. A enfermidade estava restrita às áreas rurais do nordeste do país, mas apresentou mudanças no padrão de transmissão, expandiu para outras regiões do país com incidência nos grandes centros. “Esta expansão está relacionada às mudanças decorrentes das transformações ambientais, induzidas por fluxos migratórios intensos, esvaziamento rural, urbanização crescente com ocupação desordenada e iniquidades na distribuição de renda. É importante ressaltar que muitos estudos indicam que a leishmaniose visceral canina (LVC) precede o aparecimento da enfermidade humana, sendo o cão considerado um sentinela”, explicou Karina.
Segundo ela, ao caírem na circulação sanguínea do cachorro, os parasitas se reproduzem dentro das células. Essa reprodução pode comprometer vários órgãos. “Quando ocorre em cachorros, a doença é chamada de leishmaniose visceral canina, e o tratamento ainda não permite a cura total, mas pode diminuir os sinais clínicos. Sendo assim, o veterinário trabalha na tentativa de controlar a epidemiologia”.
O primeiro sintoma que o cão com leishmaniose apresenta é a perda de pelos em locais específicos, como ao redor dos olhos, do nariz, da boca e nas orelhas. Conforme a doença avança, o animal pode apresentar sintomas como perda de peso, falta de apetite, vômitos, conjuntivites, hemorragias nasais, aparecimento de dermatites e, em fases mais avançadas, pode-se perceber deficiências renais crônicas e acelerado crescimento das unhas.
A doença pode estar presente no cachorro por diversos meses sem que haja a manifestação de qualquer sintoma. Estima-SE que 50% dos cães não apresentam sinais clínicos, constituindo uma fonte de infecção altamente competente para infectar o vetor sendo, importantes na manutenção da doença em áreas urbanas. Ao perceber alguma mudança no comportamento do animal, é imprescindível levá-lo ao veterinário. O quanto antes o cão for diagnosticado, mais chances ele tem de sobreviver.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento credenciou um medicamento específico para o tratamento da doença nos cães, mas antes de decidir o destino de um animal de estimação infectado, o tutor deve ser consultado e orientado sobre a doença, sua natureza zoonótica, o prognóstico para o cão, o que se deve esperar do tratamento.









