O aniversário de 83 anos da querida atleta veterana Therezinha Nazário Martucci vai ter um sabor especial. É que nesta data, dia 16 de abril de 2019, o Centro de Recuperação de Alcoólatras (Cerea), em Jaboticabal, vai inaugurar o acervo de troféus e medalhas, além da Tocha Olímpica que foi conduzida por ela. A ideia foi de Tim Ziviani, que está coordenando não apenas a inauguração do acervo, que ficará no Cerea, mas também a corrida em homenagem à atleta, que acontece no dia 19 de abril, com largada às 8h30, no Cerea.
“A saída será aqui e o percurso incluiu a Unesp Jaboticabal. A volta é aqui no Cerea também, já que ela é nossa madrinha”, conta Tim, em volta aos troféus e medalhas que já estão guardados em uma sala do Centro, aguardando a finalização dos móveis que irão acomodá-los e compor uma espécie de mini museu da atleta. Tanto o acervo quanto a corrida em homenagem à dona Therezinha estão sendo concretizados com a ajuda da comunidade, por meio de doações.
Dona Therezinha machucou o tornozelo e ficou de molho nos últimos meses, tendo que desistir, inclusive, da participação na tradicional Corrida São Silvestre, no final do ano, na capital do Estado. A inquieta atleta e cozinheira de mã cheia fica agitada quando não consegue correr e cozinhar suas deliciosas massas, mas a elaboração do acervo de suas vitórias e a organização da corrida tem ocupado sua atenção.
Therezinha Nazário Martucci merece toda homenagem que puder receber, uma vez que sua história de vida, luta e conquistas é alvo da admiração de pessoas em sua cidade natal, a nossa Jaboticabal, e do Brasil inteiro, onde a atleta é conhecida não só pelas corridas que participou, mas pelas inúmeras reportagens que a mídia nacional já divulgou.
Sem ter tido a oportunidade de estudar, dona Therezinha aprendeu a ler e escrever sozinha, e começou a trabalhar ainda na infância, aos sete anos. Trabalhou na roça, foi apicultora, confeiteira, chapeira e faxineira. Hoje em dia sagrou-se uma cozinheira de mão cheia e vive da renda de suas massas, cuja produção concilia com os treinos.
Com tantas obrigações impostas pela vida, demorou a descobrir a paixão pela corrida. Aos 53 anos, quando os filhos já estavam formados e casados, dona Therezinha, na tentativa de encontrar algo que a desligasse do mundo e das dificuldades do dia a dia, conheceu a corrida de rua. Começou a correr para fugir um pouco das obrigações e memórias tristes (ela perdeu os dois filhos quando já eram adultos, o que causou o maior sofrimento de sua vida). “Eu já estava cansada e achava que se eu corresse, iria esquecer as coisas. Era uma maneira de aliviar a cabeça. Gostei e não parei mais”, disse a atleta, lembrando que fez sua primeira corrida oficial em 1989, em uma prova em comemoração ao aniversário da cidade.
Ela já correu cerca de 300 corridas, participou de seis maratonas e umas 20 meias. Como premiação deve ter uns 200 troféus, muitos diplomas, quadros de homenagens, diploma de cidadania, de mulher filantrópica e a Tocha Olímpica, que carregou em 2016. “Faço natação, musculação e ando seis quilômetros às segundas-feiras pela manhã e corro 10 quilômetros no fim da tarde. Na terça, faço natação. Às quartas, levanto às 4h, preparo o almoço, deixo tudo pronto e faço faxina. À tarde corro 10 quilômetros. Quinta-feira tenho natação e musculação pela manhã e corrida à tarde. Sexta também corro e nado e, aos sábados, são 20 quilômetros de corrida. No domingo, descanso dos treinos, mas trabalho em casa”, conta a homenageada.









