Na passagem de um dia a outro, de uma semana a outra, uma única certeza: a de que o tempo não nos pertence. O tempo não tem dono. Imortal, ele não para, já cantava Cazuza… Enquanto isso, nos queixamos da brevidade da vida, consumidos pela angústia de conhecer a ordem da natureza. Hoje somos flor, amanhã, semente.
Na passagem dos dias fazemos balanços, tomamos decisões. Prometemos considerar o presente e o futuro sob uma ótica de responsabilidade. Queremos abrir os braços e os ouvidos aos nossos semelhantes, cuidar e querer bem a quem nos cerca. Repensamos a nossa indiferença, os pequenos egoísmos, as mentiras. E todos, sem exceção, desejamos sinceramente nos tornar melhor do que somos.
Afinal todo o dia é dia de recomeçar, o inverno passará e a primavera sempre virá!
Viramos o calendário suportando a passagem da vida com nossos milhares de projetos, alguns realizados, outros não. A única forma de esquecer a rápida e inexorável passagem do tempo é o amor, cercados de amigos. No amor mesmo adultos, nos tornamos crianças, invertemos assim a marcha dos ponteiros do relógio, buscando no outro o que julgávamos perdido ou deixado para trás.
Como o amor a adversidade pode servir como rito de iniciação para uma vida bem acabada, ensinando as pessoas a melhorarem o mapa de seus caminhos, tirando da frente o acessório e encontrando o fundamental, o que realmente vale a pena!
E os amigos, nessa caminhada, são fundamentais. Pessoas que desejam ficar por uma vida, não por uma estação, gente que acolha sentimentos com o coração e devolve nos olhos a fartura da verdade. Pessoas que não precisam carregar o mundo, mas que tenham uma bagagem de compreensão e vivência, se tornando mais humanas.
Encerro perguntando a vocês: O que é a existência? O que você é e o que você vai deixar? Eu sou meu pai minha mãe três filhos e quatro netos.
Então hoje eu sou estas noves pessoas juntas em uma só: três me olhando do céu, os outros espalhados nos seus lares, vivendo suas vidas, e todos juntos aqui dentro de mim, no meu coração.




