Dia da Consciência Negra é comemorado em Jaboticabal

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Mesmo não sendo feriado, como acontece em muitas cidades brasileiras, em Jaboticabal o Dia Nacional da Consciência Negra recebeu diversas homenagens. O Departamento de Cultura começou as comemorações na semana passada, com a “Semana de Consciência Negra e Semana das Tradições de Matrizes Africanas e das Nações do Candomblé”. O evento promove exposições, palestras, sarau e apresentações musicais.
As atividades tiveram início no último sábado, dia 17, com a Festa das Àyabás no templo de candomblé Ilé Ìyá Omi Àse Sàngó Baru. A exposição itinerante “África em Nós”, que traz uma mostra fotográfica, esteve na Fatec de 19 a 22, está hoje na Escola Estadual Dona Aurora, e parte para o Paço Municipal, onde ficará de 26 a 30 deste mês.
“Consciência Negra em Cartaz” é a outra exposição que vai circular nas escolas municipais. Tem ainda a Exposição Virtual, que são projeções noturnas em prédios da cidade. “Dependemos da chuva para realizar esta atividade, que, por sinal, é muito bonita”, comentou o diretor de Cultura, José Mário Oliveira.
Ontem, alunos do Projeto Guri – Polo de Jaboticabal – fizeram uma apresentação em homenagem à Semana da Consciência Negra, às 11h, no Paço Municipal. Amanhã, às 14h tem o Sarau 4P (música, declamação de poesia, palestras, exposição de fotos, arte e poesia, apresentação de capoeira, roda de samba, transista), na Praça Dr. Joaquim Batista.
Na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) – Unesp Jaboticabal, a data também foi comemorada. Na terça-feira, dia 20, quando é nacionalmente festejado o Dia da Consciência Negra, a FCAV promoveu um Chá Cultural, que contou com uma série de atividades voltadas para a valorização da cultura negra.
A programação começou às 17h30, com exposição de fotos. Em seguida, houve uma apresentação musical “Retirantes & outras”, com o grupo Batuka. Branca Rochidali e o professor Rouverson Silva fizeram a abertura do evento, seguida da apresentação de Marcelo Armoa, que interpretou Clara Nunes.
A apresentação precedeu a palestra da professora Rosemary de Oliveira sobre Colorismo. “Colorismo é o mesmo que pigmentocracia, conforme definiu Alice Walker, a ganhadora do Prêmio Pulitzer, autora de ‘A cor púrpura’. Trata-se de um tratamento preconceituoso sofrido por pessoas do mesmo grupo étnico baseado apenas na gradação da cor”, explicou a palestrante. O colorismo, resumindo, é a discriminação pela cor da pele e é muito comum em países que sofreram a colonização europeia e em países pós-escravocratas. De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer.
Apesar de orientar-se na cor da pele, o colorismo no Brasil apresenta uma peculiaridade: aspectos fenotípicos como cabelo crespo, nariz arredondado ou largo, dentre outros aspectos físicos, que a nossa cultura associa à descendência africana, também influenciam no processo de discriminação.
Rosemary contou um pouco de sua experiência e foi aplaudida não só por incitar as pessoas a aceitar e valorizar sua cor, mas por combater qualquer tipo de preconceito. O evento continuou com várias apresentações musicais até às 21h e um bolo para comemorar a data, fechando com um momento de confraternização e descontração.

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