É difícil aceitar a ideia de que nosso dever, primeiramente, é com a gente mesma: ser você mesma.

Cheira egoísmo, egocentrismo ou qualquer outro sentimento feio e pequeno.

Acreditamos que, se assim nos comportarmos, a colheita será solidão, exclusão, infelicidade…

Um risco grande demais e sem seguranças, portanto: Loucura!

Principalmente, para nós mulheres, que somos convocadas a sermos muitas para muitos. Porém, é necessário que nos perguntemos qual tem sido o resultado dessa entrega, muitas vezes, sem limites.

Como temos nos sentido, se é que ainda há sensações palpitando?

E, em relação àqueles a quem nos entregamos? Estão satisfeitos, agradecidos, felizes com o que lhes oferecemos?

Temos consciência e expressamos, muitas vezes, o cansaço e a percepção de que, cada vez mais, somos tragadas pelo “polvo-mundo”. Todavia quem é esse sedento “polvo-mundo”?

Será que ele existe somente aqui fora, com sede e fome insaciáveis, ou também está dentro de cada uma de nós?

Qual o custo-benefício dessas renúncias de cada dia? Será que inventamos verdades para viver?

O que sentimos quando nos deparamos com brotos de nós mesmas que não desabrocharam, porque nossas mãos não os cultivaram, ocupadas demais em adubar outros terrenos?

Clarice Lispector, em seus escritos, chama-nos à autenticidade e não ao egoísmo, e deixa um lembrete para refletirmos com atenção: em muitos momentos nós somos um monte intransponível no nosso próprio caminho; podemos complementar: e não outrem.

Há de se ter consciência de que é preciso trilhar um caminho mais verdadeiro, mais próximo de nossa essência, sem muitas máscaras. Somente, assim, estaremos prontas a viver relações mais saudáveis com o Outro, o qual também deve ser autêntico, verdadeiro e inteiro.

Pessoas plenas que se buscam não para se completarem e, sim, para transbordarem.

 

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